Open/Close Menu Unidade de Saúde Familiar

Diz-se que a saúde é o nosso bem mais valioso. Num país cujos cuidados de saúde são tidos como referência a nível internacional, o desconhecimento dos seus pontos fortes pela população é notório. Nas últimas décadas assistimos a alterações profundas nos Cuidados de Saúde Primários, aqueles que são (ou deveriam ser) o primeiro contacto do utente com os serviços de saúde na maioria das situações. Que motivos levarão os Portugueses a não recorrer ao seu Médico de Família? Vejamos…

Nunca fui ao posto médico, nem sei como funciona.

Os vulgares postos médicos, posteriormente chamados Centros de Saúde, estão agora organizados em Unidades de Saúde. Dispersos por todo o país, são os serviços mais próximos dos utentes. Nunca é tarde para visitar o seu – se não sabe onde é, explore o Portal da Saúde na Internet, onde não só encontrará as unidades de cada área geográfica (e respetivos contactos), como também outras informações sobre o Serviço Nacional de Saúde que lhe podem ser úteis. Numa destas unidades, terá acesso ao seu Médico de Família, bem como a outros profissionais.

Não necessito de Médico de Família – quando preciso de alguma coisa peço ao meu tio, que é médico.

Apesar de tentadora, esta opção tem alguns inconvenientes – já pensou na interferência que os fatores emocionais inerentes às relações familiares (ou afins) podem ter no raciocínio clínico? Nas consequências que um resultado aquém das expectativas pode ter nas relações familiares? É mais sensato ir ao Médico de Família, que apesar de próximo é sempre um elemento externo.

Como tenho um seguro ou outro subsistema de saúde, posso marcar consulta diretamente para um especialista, que é quem percebe mais do assunto.

Mas… de que assunto? Como vai a pessoa doente determinar qual é a especialidade que trata o seu problema? O risco de escolher a especialidade errada é grande, com prejuízo para a resolução do problema. Vai atrasar-se o processo, passando de especialista em especialista até eventualmente acertar. Todos os problemas de saúde, simples ou complexos, requerem uma primeira avaliação global. Por isso é essencial o acompanhamento pela Medicina Geral e Familiar, especialidade cujo nome revela a sua natureza: conjuga uma formação abrangente (Pediatria, Ginecologia, Obstetrícia, Medicina Interna, Urgências, entre outras) com o privilégio de conhecer e acompanhar o utente e respetiva família desde o nascimento até à morte. Ao conciliar os conhecimentos das diversas áreas médicas e do contexto familiar e social da pessoa, evita interpretações limitadas que motivam exames e tratamentos desnecessários. E se pela natureza ou gravidade do problema, a pessoa necessitar de cuidados mais diferenciados, o Médico de Família referencia à especialidade hospitalar mais adequada.

Não costumo consultar o meu Médico de Família porque sou saudável.

Uma das prioridades dos Cuidados de Saúde Primários é a prevenção de problemas de saúde. Mesmo as pessoas aparentemente saudáveis podem e devem visitar o seu médico com alguma regularidade. Com ele poderão esclarecer dúvidas, aprender hábitos de vida mais saudáveis e participar em rastreios (programas de deteção precoce de doenças graves e frequentes). Segundo a Organização Mundial de Saúde, a saúde é o bem-estar físico, psíquico e social e não apenas a ausência de doença; a consulta com o Médico de Família é o espaço indicado para partilhar qualquer questão que perturbe esse bem-estar. E não esquecer que infelizmente, milhares de portugueses não têm Médico de Família atribuído; se tem essa oportunidade, usufrua.

O Médico de Família conhece, escuta, ajuda, trata, apoia e acompanha. A questão deveria ser, então, “Porque não o Médico de Família?”.

Dra. Catarina Carvalho
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar

Dra. Joana Bordalo

Médica especialista Medicina Geral e Familiar

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